Unidade Didática 2
SER E DEVER-SER
O formal nos valores é seu dever-ser. A tradicionalmente chamada consciência moral, que é nosso olho axiológico, percebe com maior nitidez esse dever-ser quando não é. Sentimos indignação, raiva diante de uma injustiça, mais ainda se formos nós que a sofremos. Não captamos um dever ser vazio de conteúdo, como Kant achava, mas sim numa conduta real. Por isso, Scheler falou de "intuição material dos valores".
Esta intuição fundamenta a Axiologia como a intuição sensível fundamenta a Física, a Psicologia, a Sociologia, ou em geral o conhecimento físico. Nem a intuição axiológica se reduz à intuição sensível, nem a Axiologia se reduz à Ciência, no sentido vulgar desta palavra.Mas, em geral, um dever-ser nunca pode resultar de um ser (Hume). Por isso o hedonismo (reduz valor a prazer) e o utilitarismo (reduz valor a vantagem de qualquer tipo que seja) devem ser rejeitados. Prazeres e vantagens são fatos. De sua existência em si não cabe ser feita a dedução de nada axiologicamente significativo.
Ser → Dever-ser é uma falácia.
A Axiologia é construída a partir da percepção direta do dever-ser (Kant) em alguma ação concreta ou matéria (Scheler).



