Unidade Didática 1
Valores de respeito: Polissemia da palavra Valor
Quando uma palavra tem dois ou mais sentidos, ela é chamada de polissêmica. É uma das piores armadilhas da linguagem comum. Duas pessoas pronunciam ou escrevem a mesma palavra, porém as ideias que eles têm em suas cabeças são diferentes. Uma pessoa atribui um sentido e a outra um sentido diferente. Não é que elas tenham opiniões diferentes, a questão é que elas nem sequer notam que estão caindo na armadilha da linguagem. Se usassem esta palavra no mesmo sentido, poderiam ou não ter as mesmas opiniões, mas pelo menos teriam evitado o equívoco do duplo sentido, a armadilha linguística da polissemia.
Todas as palavras importantes em Ética são polissêmicas. Possuem dois sentidos e, às vezes, mais do que dois. Por isso, constantemente esclarecemos as definições dos termos.
Na verdade, o sentido primitivo de Valor é preço ou utilidade de algum bem econômico. Assim, Aristóteles falava do paradoxo do valor. Quando Kant e Scheler falaram do que deve-ser, seja ou não seja, deveriam ter inventado uma palavra nova. Infelizmente, eles não fizeram isso. Acabaram usando a velha palavra valor com um novo sentido, e este uso foi aceito.
Vamos evitar o equívoco com adjetivos. O que deve ser, seja ou não seja, é um valor próprio. A utilidade dos bens econômicos é um valor derivado. Mas, como vamos falar fundamentalmente de valores próprios, usaremos normalmente valor isoladamente, sem adjetivo, para nos referir a valor próprio, caso o contexto não dê margens a erros de interpretação.



